Reenha Até o u´ltimo de nós - Freida McFadden

by - maio 16, 2025

Eu sou completamente apaixonada pela escrita da Freida McFadden. Ela tem aquele jeito envolvente que faz a gente virar as páginas quase sem perceber. Mas preciso dizer que, nesse livro em especial… não rolou aquele uau que eu esperava.

Ate o ultimo de nós Freida McFadden



SINOPSE:

Claire Matchett vive uma grave crise no casamento e está se sentindo totalmente sobrecarregada pela criação dos dois filhos. Com a viagem de férias que se aproxima, ela vê uma chance de resgatar a cumplicidade com o marido e ter um respiro da rotina estressante. Junto com dois casais de amigos, eles vão passar uma semana em uma pousada de luxo isolada e cercada pela natureza.

A apenas três quilômetros do destino, em uma estrada de terra deserta, o carro de Claire morre. Como não há sinal de celular, os casais são obrigados a seguir a pé. O problema é que no meio da mata não é tão fácil se localizar quanto achavam que seria. Depois de algumas horas, o grupo está perdido.

Enquanto entram cada vez mais na floresta, eles vão sendo abatidos misteriosamente, um por um. Será que estão sendo perseguidos por algum animal selvagem? Ou estão sendo caçados por alguém do próprio grupo?


MINHA OPNIÃO:

Até o Último de Nós, de Freida McFadden, é daqueles thrillers psicológicos que começam com uma premissa aparentemente simples, mas rapidamente se transformam em um jogo de sobrevivência cheio de desconfiança, segredos e mortes inesperadas. A história gira em torno de três casais que decidem viajar juntos para uma pousada de luxo isolada, acreditando que seria uma semana de descanso e reconexão. Para Claire Matchett, a viagem é também uma tentativa de resgatar a cumplicidade perdida em seu casamento, já abalado pela rotina e pelas tensões da vida familiar. Mas o que deveria ser um momento de pausa logo se converte em pesadelo.

A poucos quilômetros do destino, o carro do grupo quebra em uma estrada deserta e, sem sinal de celular, eles são obrigados a seguir a pé pela mata. O problema é que a floresta não é tão acolhedora quanto parece. Em pouco tempo, eles percebem que estão perdidos e que algo mais sinistro está em jogo. Pessoas começam a desaparecer misteriosamente e, diante do pânico crescente, surge a dúvida inevitável: será que estão sendo caçados por algum inimigo externo ou o verdadeiro perigo se esconde entre eles? Esse dilema sustenta a tensão narrativa e transforma cada interação em uma oportunidade de suspeita.

Freida McFadden constrói o suspense com sua marca registrada: capítulos curtos, ágeis e sempre terminados em ganchos que tornam impossível largar o livro. A atmosfera é claustrofóbica mesmo em meio a um cenário aberto, porque a floresta se transforma em uma prisão invisível. O ritmo começa mais lento, mas ganha força conforme os desaparecimentos acontecem e as tensões internas se intensificam. Quando o mistério realmente engata, o leitor já está imerso na paranoia do grupo, questionando cada olhar, cada silêncio e cada detalhe.

Um dos aspectos mais instigantes da narrativa são os capítulos narrados por uma voz anônima. A identidade desse narrador misterioso permanece encoberta, e a autora brinca o tempo todo com as expectativas do leitor. Não sabemos se é homem ou mulher, se é alguém dentro do grupo ou uma presença externa. Esse recurso é utilizado de forma brilhante, criando uma sensação de instabilidade e fazendo o leitor desconfiar de todo mundo. Mesmo quem acerta cedo a identidade do culpado acaba, em algum momento, sendo colocado em dúvida pelas pistas falsas espalhadas ao longo da trama.

Os personagens são construídos de modo a reforçar a atmosfera de desconfiança. Claire é uma protagonista interessante porque carrega ao mesmo tempo fragilidade e força. Seu casamento em crise adiciona uma camada dramática que torna suas escolhas mais complexas. Os outros personagens, cada qual com seus segredos e pequenas contradições, contribuem para que o grupo nunca pareça coeso de verdade. A dinâmica entre eles é marcada por alianças temporárias, ressentimentos escondidos e revelações que surgem nos momentos mais críticos. Isso faz com que a leitura se assemelhe a assistir a um reality show em que, a cada cena, novos podres vêm à tona.

O grande trunfo de Até o Último de Nós é o final. Freida McFadden sabe como construir reviravoltas e, mesmo que alguns leitores desconfiem da pessoa certa desde o início, o clímax traz elementos que surpreendem e conferem força ao desfecho. O último plot twist, seguido por uma cena extra no epílogo, é daqueles que ficam martelando na mente do leitor, deixando aquela sensação de que a história não acabou de verdade. É aqui que se percebe a habilidade da autora em manipular expectativas e entregar um encerramento que, mesmo não sendo perfeito para todos, cumpre sua função de chocar.

Ainda que alguns leitores considerem a motivação do culpado relativamente simples ou até genérica, isso não diminui o impacto da jornada. O que prende não é apenas o motivo, mas o caminho até ele. O verdadeiro prazer da leitura está em criar teorias, desconfiar de todos, descartar suspeitos e depois voltar a considerá-los, em um ciclo de paranoia que espelha exatamente o que os personagens vivem. É essa dança entre certeza e dúvida que torna o livro tão viciante.

A escrita de McFadden é direta, acessível e envolvente. Não há floreios desnecessários, apenas o essencial para manter o ritmo acelerado. É o tipo de narrativa que transforma o livro em uma experiência quase cinematográfica, fácil de imaginar como adaptação para cinema ou streaming. A floresta escura, os personagens em pânico, as revelações abruptas, tudo parece feito para ser visto na tela, e talvez esse seja um dos motivos pelos quais a autora conquista tantos leitores: ela escreve de forma que o leitor sinta que está dentro da trama.

Até o Último de Nós é, em essência, uma história sobre desconfiança, traição e sobrevivência. Sua força está em como coloca pessoas comuns em uma situação extrema e revela o pior de cada uma delas. Quem é aliado, quem é inimigo, quem está dizendo a verdade? Essas perguntas acompanham o leitor até as últimas páginas e são a garantia de que a leitura será rápida, intensa e cheia de reviravoltas.

Freida McFadden, que já provou sua habilidade em best-sellers como A Empregada, entrega aqui mais um thriller psicológico capaz de prender do início ao fim. O livro pode não ter a motivação mais complexa da literatura policial, mas compensa com um clima envolvente, personagens intrigantes e uma narrativa viciante. Para quem gosta de thrillers cheios de tensão, segredos e finais de tirar o fôlego, essa é uma leitura obrigatória.














VOCÊ TAMBÉM PODE GOSTAR

0 comments