SINOPSE:
MINHA OPNIÃO:
A protagonista, Maya Killgore, é uma jovem de 23 anos, pós-graduanda, pesquisadora de física e uma mulher cheia de personalidade, energia e inteligência. Ela tenta evitar uma viagem que mudará seu verão: o casamento de seu irmão, Eli, em uma villa na Sicília. O que parecia apenas mais uma obrigação social se torna um mergulho emocional profundo quando ela se vê forçada a conviver com Conor Harkness, empresário de 38 anos, melhor amigo do irmão e completamente decidido a manter distância.
O charme e o conflito da história começam aí: Conor é sério, reservado e consciente da diferença de idade, quase quinze anos, entre ele e Maya. Ele entende que se envolver seria problemático, enquanto Maya, impulsiva e aberta, se deixa guiar pelo coração. Essa tensão inicial cria um jogo delicioso entre atração e resistência, com diálogos ágeis e provocações constantes. É um clássico slow burn, onde a química é construída lentamente, mas cada olhar e cada palavra carregam intensidade.
Hazelwood usa a narrativa em dois tempos para explorar o passado e o presente, revelando gradualmente como Maya e Conor se conheceram e como o vínculo deles evoluiu ao longo dos anos. Essa alternância ajuda o leitor a entender a dinâmica complexa entre os protagonistas, dando contexto às atitudes de Conor e justificando o comportamento impulsivo de Maya sem que pareça infantil. Essa técnica também acrescenta camadas emocionais à trama, mostrando como experiências passadas moldam escolhas e relações no presente.
Um dos grandes méritos do livro é como a diferença de idade não é ignorada ou romantizada de forma leviana. Pelo contrário, ela é parte integral da narrativa, influenciando os conflitos, decisões e dilemas emocionais de ambos. Conor, racional e meticuloso, tenta manter seus sentimentos sob controle, enquanto Maya se joga nas emoções, arriscando-se, se machucando e aprendendo com cada passo. Essa tensão cria uma dinâmica complexa e realista, que vai muito além do clichê de “romance de verão”.
A ambientação na Sicília é outro destaque. Hazelwood transforma o cenário em um personagem próprio: a villa com vistas deslumbrantes, as caminhadas por praias ensolaradas, os jantares à luz do pôr do sol e até o vulcão em erupção adicionam charme e intensidade à narrativa. O leitor se sente imerso na paisagem, vivendo cada momento como se estivesse junto de Maya e Conor, sentindo a brisa, o calor e o clima de romance que permeia a história.
No que diz respeito aos personagens secundários, Hazelwood continua sua tradição de construir figuras memoráveis. Eli e Rue, protagonistas de Não É Amor, aparecem com naturalidade, reforçando o universo interligado da autora. A presença de outros personagens cria interações divertidas, tensas e, em muitos momentos, emocionantes, enriquecendo o enredo sem sobrecarregá-lo. Maya, em particular, se destaca pelo amadurecimento pessoal: lidando com a perda dos pais, a adaptação à vida adulta e os desafios emocionais, ela se torna uma personagem complexa e inspiradora.
Apesar de todos os pontos positivos, é preciso mencionar que a obra tem suas particularidades que podem gerar reações mistas. A química entre Maya e Conor nem sempre é fluida para todos os leitores; a insistência dela e a cautela dele podem parecer exageradas em alguns momentos. Alguns conflitos parecem mais internos do que externos, e o enredo, por vezes, se concentra mais na interação entre os protagonistas do que em obstáculos externos significativos. Ainda assim, esses elementos fazem parte da construção do romance e contribuem para o crescimento emocional de ambos.
No geral, Um Amor Problemático de Verão é uma leitura deliciosa, equilibrando humor, romance, tensão e momentos de introspecção. É uma obra que diverte, faz suspirar e provoca reflexões sobre limites, escolhas e amadurecimento. Maya e Conor formam um casal único, cuja história nos lembra que o amor nem sempre é simples, mas pode ser intenso, transformador e memorável.
Para quem gosta de romance de verão, age gap, ambientação europeia, protagonistas fortes e histórias com tensão emocional, este livro é imperdível. Além disso, para os fãs de Hazelwood, é fascinante ver como a autora consegue expandir seu universo literário, conectando personagens de obras anteriores de forma sutil e envolvente.
Em resumo, Um Amor Problemático de Verão não é apenas mais um romance clichê de férias: é uma história sobre amor, escolhas, crescimento pessoal e química arrebatadora, perfeita para leitores que buscam emoção, diversão e aquela sensação de se perder em um romance inesquecível sob o sol da Sicília.